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MADEIRA PETRIFICADA DO BRASIL (XILOLITO)

UMA HISTORIA DA PRÉ PRÉ-HISTÓRIA E UMA PALEODECORAÇÃO PARA OS AQUÁRIOS MARINHOS E DE ÁGUA DOCE.

-- Desde a formação de nosso planeta, à aproximadamente 4 bilhões de anos, a Terra sofreu enormes transformações. Forças subterrâneas levantaram e abaixaram diversas vezes praticamente todas as áreas do globo, alterando completamente sua geografia, transformando mares em continentes e vice-versa. Essas forças ainda estão atuantes, e demonstraram sua magnitude e violência recentemente com o tzuname que devastou o Japão arrasando cidades, usinas nucleares e as próprias obras que deveriam conte-lo. E são elas que estão afundando cidades como Veneza e países como a Holanda. Por outro lado, ilhas como o Havaí e a Islândia se tornam maiores a cada erupção vulcânica, e o Himalaia, que já esteve no fundo do oceano, cresce alguns centímetros a cada século.
-- O sertão do Brasil já esteve dentro do mar, como provam os fósseis marinhos encontrados em diversas áreas do País. Os mais conhecidos do grande publico são os fosseis de peixes marinhos, conhecidos como “ictiolitos”, encontrados principalmente na chapada do Araripe, uma grande formação geológica que se estende pelos estados do Ceará, Pernambuco e do Rio Grande do Norte.
-- Alem das constantes transformações de mar em sertão e vice-versa, muitas foram as alterações climáticas. Em certas épocas, o gelo recobria o que hoje é o estado do Paraná e parte de São Paulo. O continente antártico já abrigou uma exuberante floresta. A cada 10 mil anos, mais ou menos, há um período glacial, e as geleiras polares avançam para os trópicos. Periodicamente elas derretem, causando inundações nas planícies e desertos nos planaltos, ou fazendo florescer florestas em regiões que antes eram muito frias para sustentar a vida.
-- Épocas favoráveis a vida vegetal abundante, outras desfavoráveis, épocas de chuvas torrenciais, verdadeiros dilúvios, épocas de movimentos tectônicos intensos, com grande surgimento de vulcões e terremotos apocalípticos e épocas de calmarias, tudo isto se alternando durante milhões e milhões de anos e continuando até hoje em dia, cada fase durando milhares ou milhões de anos.
-- Para poder estudar e entender melhor a natureza do planeta em que vive, o homem se viu obrigado a segmentá-la, classificando-a em reinos, classes, etc. etc. até espécies e subespécies. Não poderia ser diferente com os fósseis e com as idades geológicas em que se desenvolveram.
-- Ha 430 milhões de anos, muito antes dos dinossauros da era Jurássica, houve a era Paleozóica. O seu primeiro período, chamado de Siluriano, durou 30 milhões de anos. Foi quando o mar invadiu grandes áreas da América do Sul. O Planalto Central Brasileiro e as serras eram um arquipélago, cercado por todos os lados por um oceano que cobria a região onde hoje estão as planícies da Amazônia, do Pantanal e dos Pampas. A longa permanência das águas do mar em áreas extensas e de pouca profundidade gerou um grande acumulo de sedimentos, formando três bacias sedimentares de origem marinha.
-- A Bacia Sedimentar do Amazonas, que percorre os estados de Amazonas e do Pará, é bem menor que a bacia hidrográfica Amazônica. Nesta bacia, pouco conhecida e explorada, as formações fossilíferas conhecidas são de origem marinha e do período Carbonífero, anterior ao Permiano.
-- A Bacia Sedimentar do Parnaiba ou do Maranhão se estende pelos estados do Tocantins, Piauí, Maranhão e pequena parte do Pará.
-- A Bacia Sedimentar do Paraná engloba o triângulo mineiro, o sul de Goiás, o sudeste do mato Grosso do sul, o centro-oeste e o oeste dos estados de São Paulo, Paraná ,Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atingindo parte do Uruguai, Argentina e Paraguai.
-- Estas três bacias sedimentares, durante os 130 milhões de anos dos períodos Devoniano e o Carbonífero, sofreram elevações, convulsões, rebaixamentos, etc., com pelo menos duas longas temporadas de sedimentação marinha. Em diversas formações da época são encontrados fosseis marinhos característicos. A partir do final do período Carbonífero e inicio do Permiano, essas áreas deixaram de ser marítimas para serem, predominantemente, continentais.
-- O período Permiano, com duração de 50 milhões de anos, encerra a era Paleozóica. Começou no fim do Carbonífero, à 270 milhões de anos atras e terminou dando inicio a era Mesozóica com o período Triássico, precursor do Jurássico que foi o apogeu dos dinossauros.
-- É no período Permiano que se focaliza nosso maior interesse. Foi a época em que começaram a evoluir os primeiros animais com coluna vertebral óssea, anfíbios e precursores dos dinossauros e dos mamíferos (labirintodontes).
-- Nas margens dos lagos de água doce e nas terras secas vicejavam exuberantes florestas de vegetais primitivos, cujos frutos e folhas serviam de alimento a uma fauna também primitiva. Essas florestas eram compostas em sua maioria por samambaias gigantes e proto-coníferas diversas, além de famílias de espécies vegetais, Glossopteris e Gangamopteris peculiares do hemisfério sul, completamente extintas pelas enormes variações climáticas e cataclismos geológicos.
-- Chuvas torrenciais, verdadeiros dilúvios, formavam lagos imensos nas partes baixas, para onde arrastavam, folhas, frutos, galhos, troncos, raízes e arvores inteiras. Estes restos vegetais, recobertos por água , detritos e sedimentos minerais, geralmente em camadas sucessivas de espessura variável, em vez de apodrecer tiveram a composição química de suas células alterada, formando a MADEIRA PETRIFICADA e o CARVÃO MINERAL brasileiro. O carvão mineral do Hemisfério norte, mais antigo, teve origem durante o período Carbonífero.
-- Condições anaeróbias são imprescindíveis para a formação do CARVÃO MINERAL que representa o estagio final da transformação de grandes volumes de restos de vegetais. Inicia com ação microbiana e por um processo chamado de incarbonização, que envolve compactação e desidratação, vai concentrando progressivamente cada vez mais o carbono.
-- No Brasil, só a Bacia Sedimentar do Paraná concentra quantidades economicamente viáveis de carvão mineral, sendo que a sua exploração comercial significativa se restringe a formação Rio Bonito, no estado de Santa Catarina, isso devido a má qualidade do nosso carvão.
-- Condições ambientais diferentes deram origem a MADEIRA PETRIFICADA. A muito tempo são conhecidas algumas pequenas lavras na Bacia Sedimentar do Paraná, no Rio Grande do Sul. Atualmente a ocorrência conhecida de maior vulto, explorada comercialmente com autorização dos órgãos governamentais competentes, está situada na formação Pedra de Fogo, pertencente a Bacia Sedimentar do Parnaiba, localizada na região Araguaina-Filadelfia, Tocantins divisa com Maranhão.
-- É também do período Permiano a formação Irati, na Bacia Sedimentar do Paraná, onde foram encontrados fósseis de duas espécies de sauros: o Mesosauros Brasiliensis de hábitos lacustres e o Stereosternum Tumidum terrestre, ambos com comprimento em volta de 1 m , sendo o Mesosauro um pouco maior.
-- Entre 220 e 270 milhões de anos passados, no período Permiano, a formação Pedra de Fogo, na Bacia Sedimentar do Parnaiba, local de ocorrência das peças que comercializamos. estava em subsidência, ( Movimento de abaixamento da crosta terrestre formando uma depressão, vide Holanda e Veneza. ) se tornando uma bacia de sedimentação lacustre. Os restos vegetais que chegavam arrastados pela fúria dos elementos, eram submersos e recobertos de depósitos de sedimentação, desde seixos até areia, silte, argila e cinzas vulcânicas. A grande rapidez e o volume de vegetais, detritos e sedimentos arrastados formavam espessas camadas que impediam a oxigenação e a degradação aeróbia da matéria orgânica.
-- Era o começo da petrificação da madeira.
-- A presença da água e a composição química apropriada dos sedimentos minerais, deram origem ao processo conhecido como de permineralização ou silicificação.
-- Ao contrario da incarbonização que concentra cada vez mais carbono na matéria orgánica. transformando-a em carvão, a sintesi da MADEIRA PETRIFICADA se dá por perda de carbono, o qual é substituído pelo silício, sob a forma de sílica amorfa, num processo chamado de silificação. Em um ambiente pobre em oxigênio e rico em sílica em pó, as águas subterrâneas dissolvem a sílica formando acido silícico - H4 Si O4 - que vai saturando uma rocha porosa ou no nosso caso os restos vegetais e a madeira.
-- Uma reação química muito lenta, lentíssima, chamada de metasomatismo, vai se desenvolvendo durante séculos. Consiste na substituição de um elemento por outro, num processo simultâneo em fase líquida, de dissolução capilar e de deposição, onde os ions do acido silicico penetram por difusão nos poros da madeira e substituem um a um os ions carbônicos da celulose e da linhina e precipitam sob a forma de sílica amorfa com até 20% de água, copiando fielmente cada detalhe microscópico dos vasos, das células e de seus núcleos, mantendo fielmente a forma e a estrutura da peça. O carbono de origem orgânica que não é expulso da peça, permanece na forma inorgânica de grafite a colorindo de negro, enquanto que impurezas de ferro, muito comuns, a colorem de vermelho.
-- Em épocas posteriores o movimento tectônico se inverteu, elevou a região expondo-a aos agentes de erosão que revelam e deixam a descoberto as peças petrificadas que pesam desde gramas até toneladas. Atualmente, a Formação Pedra de Fogo é constituída de arenitos impuros, conglomerados e na sua parte superior de sedimentos de calcário e gipsita, se estendendo em superfície por uma área de 66.000 km².
-- Quanto aos modos de ocorrência da madeira petrificada foram identificados três tipos diferentes:
-- MINÉRIO PRIMÁRIO - É o que se encontra ainda dentro da camada sedimentar (na rocha). Este não é lavrado pois se pretende preservá-los para estudos futuros.
-- MINÉRIO RESIDUAL - Minério que se encontra no solo, tendo sofrido pouco deslocamento. Geralmente mostram as características morfológicas bem preservadas, porém como foram expostos a pouco tempo às intempéries, não apresentam boa coloração.
-- MINÉRIO DESLOCADO - São as concentrações em taludes e em aluviões. Este material por ter sido muito exposto às águas superficiais mostra colorações mais vivas, ressaltando bem as estruturas e texturas internas, porém sem preservar muito as características externas.
-- Os seguintes grupos vegetais foram identificados até agora:
-- PSARONIUS (Samambaias) - Trata-se do vegetal fóssil mais disseminado na região. São as samambaias gigantes que chegavam a quase 20m de altura, com caules de até 1m de diâmetro e que dominaram as florestas da idade Permiana.
-- CORDAITES E PROTO-CONÍFERAS - Representam o segundo tipo de vegetal mais abundante das florestas Permianas e são os precursores das Coníferas. Aparecem como troncos de até mais de metro de diâmetro e galhos centimétricos que preservam bem a estrutura interna e aspectos externos.
-- CICADACEAS - Apesar de serem abundantes no Permiano, não são bem identificadas na região por não terem, geralmente, suas características externas bem preservadas.
-- CALAMITEAS - Conhecidas também como Rabo-de-Cavalo, são de ocorrência restrita, porém mostrando localmente alguma abundância. São representadas por troncos ocados com diâmetros que podem chegar a 30 cm e até galhos com 1-2 cm.
-- Colorações diversas produzidas por impurezas são encontradas, alem do branco, preto do carbono, vermelho do ferro, tons azuis, verdes, amarelos e outros.
-- São sinônimos da MADEIRA PETRIFICADA:
XILÓLITO, XILOPALA, OPALA XILÓIDE, OPALA DE MADEIRA.
A MADEIRA PETRIFICADA NO AQUÁRIO
-- Na ornamentação do aquário além de poder escolher uma peça única, já que é um produto da natureza sem clones, tem a vantagem de compor uma paisagem natural, seja numa floresta aquática de plantas vivas como num aquário marinho entre rochas vivas e corais.

-- No aquário, seja marinho ou de água doce, a MADEIRA PETRIFICADA é quimicamente inerte, sua formula química é igual a do quartzo, Si O2 , a diferença está na forma fisica, o quartzo é cristalizado e a madeira petrificada é amorfa, podendo conter até 20% de água quimicamente ligada a suas moléculas. O carvão, o ferro e qualquer outra impureza contida, também não tem condições de reagir com a água do aquário por estarem fixados e serem insolúveis.
OUTROS USOS
ESOTERISMO.
-- No Chacra básico, como impulso para o trabalho e auxilio para enfrentar o cotidiano
-- Triturada e presa ao lóbulo da orelha direita para melhorar a circulação sangüínea, problemas ósseos e ansiedade em relação a idade.
-- Pequenas peças nos bolsos integram a pessoa com a vida e a natureza.
DECORAÇÃO
-- Em bruto. Peças de rara beleza de formas, pequenas e grandes, em sido usadas na decoração, não só de aquários e terrários, más também de ambientes diversos.
Industrializada.
-- Cortada e polida em cepos, placas, inclusive como mostradores de relógios, em formatos de pirâmide ou de obelisco ou outros, como bola ou rolada, enfim, numa variedade de formas que só a imaginação humana pode produzir.